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25 de janeiro de 2011

Notícias

Há notícias que nos gelam o corpo e a alma, que nos dão vontade de chorar e de gritar, quer seja de raiva ou de revolta. O nosso coração fica apertado, paralisado.
Há notícias para as quais não estamos preparados, nem nunca vamos estar. São chamadas as "más notícias". A vida insiste em atirar-nos bichos feios para o meio do caminho e nós lá nos vamos desviando, seguindo viagem. As más notícias servem para relatar quando tal situação acontece, mas há alturas em que esse bicho nos começa a devorar e afecta completamente a nossa existência. Quando é este o cenário, as notícias não são más, são horríveis e angustiantes, principalmente se se referem a pessoas que não mereciam de todo aquilo que estão a enfrentar.
Gostava de saber porque é que os bichos feios insistem em devorar quem não deve ser castigado, quem sempre foi simpático, prestável e atencioso. Quem, em suma, é uma boa pessoa, uma excelente pessoa.

5 de novembro de 2010

Viagem

Final de tarde em Lisboa. Apanho o autocarro para casa. O Sol que ainda brilha aquece-me a alma, a música que oiço embala-me o espírito e, quando dou por mim, já estou no meu mundo, longe de tudo e de todos. Os meus olhos passeiam-se pela paisagem, mas nem reparo no que vejo. Estou demasiado enlevada pelos meus pensamentos para me preocupar com o que quer que seja. Como gostaria de continuar assim, sentada no banco, a olhar pela janela. Desejo não ter de carregar no Stop, não ter de descer na minha paragem, não ter de me despedir do meu mundo. Quero que o autocarro nunca pare, que a viagem continue, que os pensamentos fiquem. É só isso que preciso.

24 de março de 2010

Evasão

Todos os dias passo pelo Aeroporto de Lisboa. Todos os dias vejo aviões à espera de descolar. Todos os dias me cruzo com passageiros, hospedeiras e pilotos. Todos os dias aprecio estas visões, mas ao contrário do que seria esperado, a minha alma não é acariciada por desejos de evasão. Ela não grita a sete ventos que quer partir para outro lugar, não se demonstra com sede de aventuras. Parece-me que estou demasiado ligada a esta cidade, a esta vida e às minhas pessoas, para lhes querer virar as costas. Sei que um dia não será como todos os outros. Sei que um dia, em vez de passar com indiferença pelo aeroporto, serei eu a sair do autocarro e a dirigir-me para a porta de embarque. Os meus sonhos de viagem estão guardados naquela caixinha que me faz viver e, eventualmente, irei mostrar-lhes a luz do dia, mas por enquanto a minha alma não grita o suficiente para ser levada a sério, limita-se a sussurrar uma cantiga de fantasia.