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25 de março de 2011

Poesia Magnética*

Sento-me timidamente,
sem saber o que esperar.
Hoje, neste café,
sei que a poesia vai ser rainha,
mas não sei como irá reinar.

Ouvem-se os primeiros sons,
vêem-se as primeiras imagens.
Absorvo sofregamente
o que me leva para outras paragens.

A alma aquece,
a cada sílaba proclamada
e, como se de um feitiço se tratasse,
fico completamente encantada.

Tudo aqui é sentido,
na sua máxima extensão.
Todas as palavras proferidas,
abraçam o coração.

E sem que o deseje,
o reinado chega ao fim,
mas só neste café.
Porque todos os dias,
a poesia reina em mim.

*"Magnetic Poetry", Livro/Cd/Dvd dos Social Smokers

21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia #2

Mais um Dia Mundial da Poesia, mais um poema favorito.

Por Delicadeza

Bailarina fui
Mas nunca dancei
Em frente das grades
Só três passos dei

Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dancei no avesso
Do tempo bailado

Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei

Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado

Bailarina fui
Mas nunca bailei

Minha vida toda
Como cega errei

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi

«Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida».

Sophia de Mello Breyner Andersen

9 de maio de 2010

World Press photo 2010

Sem dúvida uma das melhores exposições que já vi até hoje. Além da qualidade técnica e artística das fotografias, encantei-me com a capacidade e a genialidade que os diferentes fotógrafos tiveram em captar os sentimentos e todo o misticismo que envolviam os momentos fotografados. É necessário um "estômago forte" para conseguir ver determinadas fotos que estão expostas, visto que muitas delas retratam cenas de guerra e de violência extrema. Durante a visita a esta exposição, dei por mim a pensar "Como é que estes fotógrafos conseguiram fotografar isto? Como é que não fugiram de medo? Como é que tiveram coragem?" Pois é, a verdade é que tiveram toda a coragem e sangue frio para imortalizar, de um modo extraordinário, os mais variados e impressionantes momentos. Mas não se deixam intimidar pelo conteúdo violento de certas fotografias, arte é arte, e estas pessoas sabem fazê-la muito bem.


World Press Photo 2010, no Museu da Electricidade, até 23 de Maio 2010.

Vão! Vale MUITO a pena!

29 de abril de 2010

Dança


Está a chegar o momento de subir ao palco, de ser só eu e o chão que piso, de ser só o meu corpo e o ritmo que o embala. Sinto borboletas na barriga. O momento chegou. Subo ao palco e posiciono-me. As cortinas abrem-se e a música ecoa na sala. Não tenho noção da quantidade de pessoas que estão a assistir, para mim isso é irrelevante. Sou só eu e a dança, eternas cúmplices de há tantos anos. Já não há segredos entre nós, só desafios mútuos. Aqui e agora, nada mais interessa a não ser a paixão que nos une. O meu corpo move-se, a minha alma eleva-se. Sinto-me tão feliz! Se pudesse ficaria eternamente neste palco, dançaria para sempre, mas o despertador toca e atira-me para a realidade. “Foi só um sonho.” A tristeza apodera-se de mim. “Talvez reencontre este palco, e quando esse dia chegar, voltarei a sonhar”.


Dia Mundial da Dança, 29 Abril.

"Dançarinos são os poetas do gesto" George Balanchine 
"The audiences' ears hear the music & their eyes see you being that music. Dance is the music made visible. You are the music!" Morocco, New York City, New York (1998)

21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia


Porque não podia deixar passar em branco o Dia Mundial da Poesia aqui fica um dos meus poemas favoritos



Não te amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.


Almeida Garrett