Tirem-me daqui!
Nada do que é dito me interessa.
Este tema repugna-me
e as palavras ardem na pele.
Tirem-me daqui!
Não quero conhecimentos triviais.
Estas histórias não me fascinam,
só me fazem revoltar.
Tirem-me daqui!
Não devia ser obrigada a ouvir
o que não consigo compreender
e muito menos acreditar.
Tirem-me daqui!
Não quero mais areia para os olhos,
nem entorpecedores de raciocínio.
Isto não passa de pura tortura.
Tirem-me já daqui!
Onde "Tudo" pode saber a nada, onde "Pouco" pode ser suficiente e onde "Nada" pode significar tudo!
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22 de fevereiro de 2011
6 de janeiro de 2011
Dançamos?
Corpo inquieto,
espírito indomável.
No meio deste desassossego,
a minha vontade é inquebrável.
Quero ir para a rua,
quer seja o sol ou a lua
quem irei encontrar.
Quero caminhar pela cidade,
sentir a sua cumplicidade
e deixar-me embalar.
Esta vontade não me abandona
e o contrário também não queria.
Pretendo vaguear toda uma noite
e todo um dia.
Talvez quem sabe,
nos cheguemos a encontrar,
numa qualquer calçada,
num qualquer lugar.
E se já não quisermos caminhar,
pois não sabemos por onde andamos,
irei perguntar:
-Dançamos?
espírito indomável.
No meio deste desassossego,
a minha vontade é inquebrável.
Quero ir para a rua,
quer seja o sol ou a lua
quem irei encontrar.
Quero caminhar pela cidade,
sentir a sua cumplicidade
e deixar-me embalar.
Esta vontade não me abandona
e o contrário também não queria.
Pretendo vaguear toda uma noite
e todo um dia.
Talvez quem sabe,
nos cheguemos a encontrar,
numa qualquer calçada,
num qualquer lugar.
E se já não quisermos caminhar,
pois não sabemos por onde andamos,
irei perguntar:
-Dançamos?
15 de dezembro de 2010
Fuga
Desfaço os caracóis do cabelo
e visto uma roupa que não é minha.
Hoje não quero ser eu,
quero ser outro alguém.
Preciso de ver o outro lado do espelho,
vislumbrar o mundo com outros olhos.
Hoje dispo-me de convenções
e ignoro a razão.
Quero perder o meu chão,
sentir-me vulnerável e
anotar as pessoas que se aproveitarem.
Essas serão ignoradas e
nunca merecedoras da palavra "amizade".
Quero fazer um balanço à vida
e guardar o estritamente necessário.
Por isso, hoje, não posso ser eu,
sou demasiado parcial
para me desfazer do supérfluo.
Hoje quero ser o que nunca fui,
para fugir ao que sempre serei.
e visto uma roupa que não é minha.
Hoje não quero ser eu,
quero ser outro alguém.
Preciso de ver o outro lado do espelho,
vislumbrar o mundo com outros olhos.
Hoje dispo-me de convenções
e ignoro a razão.
Quero perder o meu chão,
sentir-me vulnerável e
anotar as pessoas que se aproveitarem.
Essas serão ignoradas e
nunca merecedoras da palavra "amizade".
Quero fazer um balanço à vida
e guardar o estritamente necessário.
Por isso, hoje, não posso ser eu,
sou demasiado parcial
para me desfazer do supérfluo.
Hoje quero ser o que nunca fui,
para fugir ao que sempre serei.
5 de novembro de 2010
Viagem
Final de tarde em Lisboa. Apanho o autocarro para casa. O Sol que ainda brilha aquece-me a alma, a música que oiço embala-me o espírito e, quando dou por mim, já estou no meu mundo, longe de tudo e de todos. Os meus olhos passeiam-se pela paisagem, mas nem reparo no que vejo. Estou demasiado enlevada pelos meus pensamentos para me preocupar com o que quer que seja. Como gostaria de continuar assim, sentada no banco, a olhar pela janela. Desejo não ter de carregar no Stop, não ter de descer na minha paragem, não ter de me despedir do meu mundo. Quero que o autocarro nunca pare, que a viagem continue, que os pensamentos fiquem. É só isso que preciso.
24 de março de 2010
Evasão
Todos os dias passo pelo Aeroporto de Lisboa. Todos os dias vejo aviões à espera de descolar. Todos os dias me cruzo com passageiros, hospedeiras e pilotos. Todos os dias aprecio estas visões, mas ao contrário do que seria esperado, a minha alma não é acariciada por desejos de evasão. Ela não grita a sete ventos que quer partir para outro lugar, não se demonstra com sede de aventuras. Parece-me que estou demasiado ligada a esta cidade, a esta vida e às minhas pessoas, para lhes querer virar as costas. Sei que um dia não será como todos os outros. Sei que um dia, em vez de passar com indiferença pelo aeroporto, serei eu a sair do autocarro e a dirigir-me para a porta de embarque. Os meus sonhos de viagem estão guardados naquela caixinha que me faz viver e, eventualmente, irei mostrar-lhes a luz do dia, mas por enquanto a minha alma não grita o suficiente para ser levada a sério, limita-se a sussurrar uma cantiga de fantasia.
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