Estou cansada de tentar
e não conseguir.
De pensar,
mas não agir.
A história repete-se,
sempre com um final diferente,
com mais uma lição para dar.
Quantas mais me faltarão aprender?
Será sempre assim o meu viver?
Sei valorizar a Paz
Sem ter que guerras enfrentar.
Mas, então, porque pareço caminhar
Num campo minado,
Onde espreitam perigos de todo o lado?
Não quero ter de me preocupar
Com o chão que piso.
Quero correr livremente,
Quero a ignorância de antigamente,
Aquela que tantas vezes
foi por Pessoa referida
E que, infelizmente,
É sempre perdida.
"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."
Fernando Pessoa