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16 de junho de 2015

Cheira a verde

Gosto da maneira como o cérebro funciona ao nível das memórias. Por vezes basta um refrão de uma música para nos lembrarmos de um exacto momento da nossa vida. Por vezes uma fotografia transporta-nos até emoções vividas. Por vezes um mero odor coloca-nos num lugar há muito esquecido. E esse lugar nem é necessariamente físico, pode ser simplesmente emocional. 
Para mim, o simples odor de relva acabada de cortar, aquilo a que muitas vezes me refiro como "Cheira a verde", transporta-me à minha infância e àquele lugar no meu coração onde ainda não existiam preocupações. 

9 de outubro de 2014

Liberdade

É curioso como um lugar que acabámos de conhecer, que ainda não podemos dizer que nos conhece a nós, nos dá momentos que nos lembram de onde crescemos. O simples acto de olhar pela janela e ver o céu azul imenso que paira sobre os pinheiros verdes me faz lembrar que não foi numa cidade caótica, cheia de prédios altos e de carros a buzinar que me criei, apesar de ter sido esta a minha realidade nos últimos 6 anos; foi num sítio assim, semelhante a este, com céu a perder de vista, o cheiro a relva acabada de cortar, os pássaros a cantarem nos arbustos, o passo vagaroso das pessoas, o ritmo da natureza. Foi num sítio assim que comecei a viver e seguramente que é num sítio assim que gostaria de continuar a viver, a ser feliz. Porque a felicidade também depende muito do sentimento de liberdade e onde existem os prédios altos a tocar o céu a nossa liberdade fica restringida e a nossa felicidade só tem o tamanho da quantidade de céu que conseguimos vislumbrar por entre fendas da densa malha urbana. 

18 de setembro de 2014

Questionamento

Gostava de conseguir ver como teria sido o passado se não te tivesses ido embora. Já não sei mais se teria sido tudo diferente ou se apenas os acontecimentos teriam tomado uma velocidade mais reduzida, de acompanhamento mais fácil. Foi tudo tão rápido e tudo sem explicação. Sei que era nova demais para ter capacidade de me preocupar com certas perguntas, mas hoje sinto que fiz mal em não perguntar mais, em não querer saber exactamente o que se passava, em não me conseguir lembrar da última vez que estive contigo. Sabes, é que estamos naquela altura do ano e eu tenho tido tanto tempo livre em mãos que até se torna perigoso, fico com demasiados pensamentos a deambular na minha mente. Muitos deles acabam por levar-me a ti e às questões que provavelmente sempre me assombrarão. 

4 de abril de 2011

Imagem

Aparece,
sem ser evocada,
sem ser procurada.
Sai de onde estava guardada
e ali fica, parada,
mostrando todo o seu esplendor.
E eu observo-a,
tentando sabê-la de cor,
tentando conhecê-la ao pormenor.

Fascina-me a maneira
como se apodera da minha mente.
Mesmo sem que eu queira,
faz questão de estar presente,
aproximando-me de algo ausente.

E eu sorrio,
com aquele sorriso especial.

19 de março de 2011

Super-heróis

Há super-heróis para todos os gostos e feitios. Enquanto crianças, há sempre aquele super-herói em particular que nos fascina e que nos faz sonhar mais alto, e por vezes essa adoração continua, mesmo quando nos tornamos adultos. Afinal, quem não gostaria de voar ou de se tornar invisível? São coisas como estas que nos fazem sonhar e que nos transportam para um mundo em que tudo é possível (ao contrário daquele em que vivemos).
Desde pequena que tenho um super-herói preferido. Lembro-me perfeitamente de ficar em frente à televisão a ver os desenhos animados do Homem-Aranha. Adorava aquele momento do dia em que ouvia a música inicial e me perdia nas aventuras do "aranhiço", mas chegou aquele momento, que chega na vida de todos nós, em que me apercebi que os super-heróis existem somente na nossa imaginação. Não é preciso ser um grande entendido em ciências para saber que largar teias dos pulsos é algo humanamente impossível (mesmo que mordido por uma aranha radioactiva) e então comecei a procurar algo que se assemelhasse a um super-herói. Não foi difícil de encontrar e acredito que todos nós sejamos capazes de o fazer, basta deixarmos de lado o critério dos super-poderes (admitamos, são difíceis de encontrar) e focarmo-nos na questão de vencer o bem sobre o mal. Há muitas pessoas que, sem qualquer habilidade sobre-humana, conseguem, com pequenas acções, tornar o mundo muito melhor.


E desde que iniciei a minha busca, percebi que, durante toda a minha existência, tive sempre um herói por perto.

1 de fevereiro de 2011

Meu pedaço

Por vezes fujo de ti, mas não é por mal. Por vezes ficamos demasiado tempo separados e as saudades crescem exponencialmente, mas eu nunca me esqueço de ti, nem conseguiria se o quisesse. És parte de mim, és a minha essência e o meu amor. O meu grande amor. Foste tu que me viste crescer, que me viste cair e levantar, que me ensinaste a apreciar a Natureza. És tu que me acolhes quando sinto as forças a esgotarem-se, que me ajudas a pôr os pensamentos em ordem, que me mostras beleza mesmo num dia cinzento. É incrível como depois de tantos anos ainda me consegues deixar sem fôlego. Ainda tens a capacidade de me deixar extasiada e de me fazer sentir a levitar.

Hoje abracei-te, como já não o fazia há muito tempo, e tu sorriste, mostraste-me todo o teu esplendor e relembraste-me de que, por muito que eu fuja, voltarei sempre a ti, nem que seja para um só abraço, porque és parte de mim, meu pedaço de Alentejo.

16 de janeiro de 2011

Anjo da guarda

Seriam vinte e quatro, hoje, se não estou em erro. Como o tempo passa. Lembro-me do dia em que me falaram da tua partida, foi o dia em que o meu coração me quis saltar do peito, talvez na tentativa de levar o sofrimento com ele, mas eu não o deixei. Agarrei-o com força, quase cravando as unhas na minha carne. Preferi um coração desfeito a um coração inexistente. De certo modo, foste o meu primeiro grande amor. Aprendi tanto contigo, apesar da tua curta estadia na minha vida. Tão depressa apareceste como te foste embora. Por vezes dou por mim a pensar como seria se tivesses ficado. Seria tudo tão diferente, tenho a certeza. Mas esses pensamentos não passam disso, pensamentos que nunca se tornarão realidade, porque tu não voltas. Não voltas e isso custa. Agarro-me a pequenas coisas, como bóias de salvação. Gosto de acreditar em coincidências, de dar significado ao que parece vazio e se aconteceu naquele dia, é porque tem algum significado. Deixem-me acreditar nisso. Eu acredito que estejas onde estiveres, se houver sítio para onde possas ter ido, estarás sempre comigo, porque sinto uma daquelas sensações que não se conseguem explicar, apenas se sentem, que me diz que és, desde aquele dia e para sempre, o meu Anjo da guarda.

6 de dezembro de 2010

Ficar

Deixa-me ficar.
Está frio lá fora e o vento chora.
Não quero sair daqui.
Quero ficar.
Deixa-me ficar.
Vamos para a janela ver a trovoada,
Gostávamos tanto de o fazer quando éramos crianças.
Vamos ficar aqui e desenterrar lembranças.
Deixa-me ficar.
Só eu tenho a perder.
Tu tens tudo para triunfar,
Eu ainda tenho que conquistar.

Mas não posso ficar.
Tenho de cumprir o meu dever.
Sou obrigada a partir
E tu irás permanecer.

1 de julho de 2010

"Esta é a nossa rua"

Assim se chama o documentário que vi hoje na RTP1, sobre a diversidade cultural que existe na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. Se tivesse visto este documentário o ano passado, poderia estar incluída no pronome possessivo que figura no título, mas já não pertenço a este mundo. Não posso dizer que conheço aquela Avenida como a palma das minhas mãos, mas foram inúmeras as vezes em que os meus pés pisaram a sua calçada, em que os meus olhos desfilaram sobre as suas fachadas, em que os meus ouvidos foram embalados pelos seus sons. Por vezes, quando sinto vontade de me refugiar, é nesta Avenida que penso, é para lá que o meu espírito voa, com vontade de não voltar. Não sei ao certo porque me fascina esta artéria de Lisboa , talvez porque foi o primeiro sítio que me fez sonhar com a vida académica, que me acolheu de braços abertos e que testemunhou os meus sofrimentos e alegrias do início do meu sonho de independência. Sinto falta de ter esta Avenida sempre ao meu lado, de ser embalada por ela, de despertar com ela, de viver com ela. Por ventura ainda sou capaz de voltar a ter esta Avenida como morada; por enquanto, visito-a quando posso, demonstrando-lhe que nunca me esquecerei dela.

21 de junho de 2010

Quero a ignorância de antigamente

Estou cansada de tentar
e não conseguir.
De pensar,
mas não agir.
A história repete-se,
sempre com um final diferente,
com mais uma lição para dar.
Quantas mais me faltarão aprender?
Será sempre assim o meu viver?
Sei valorizar a Paz
Sem ter que guerras enfrentar.
Mas, então, porque pareço caminhar
Num campo minado,
Onde espreitam perigos de todo o lado?
Não quero ter de me preocupar
Com o chão que piso.
Quero correr livremente,
Quero a ignorância de antigamente,
Aquela que tantas vezes
foi por Pessoa referida
E que, infelizmente,
É sempre perdida.


"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."

Fernando Pessoa

4 de maio de 2010

Vida Universitária #2

Parece que foi ontem que trajei pela primeira vez, mas não, ontem foram os nossos caloiros que trajaram pela primeira vez. Como o tempo passa. Há um ano era eu que estava ajoelhada na minha capa a levar com cerveja na cabeça, a ouvir os meus padrinhos (os melhores que alguma vez poderia ter escolhido)a fazerem os seus discursos e a sentir a emoção do traçar da capa. Foi há um ano que chorei ao pé da Sé e que recebi um dos melhores abraços de sempre. Nunca esquecerei o que senti naquele dia.
Se há memórias que devem ser sempre trazidas à luz do dia, a da Serenata de 2009 é sem dúvida uma delas.

A Tradição vai estar sempre presente de mãos dadas com o Orgulho.

"OH LETRAS O MELHOR QUE HÁ! HEY!"

29 de março de 2010

Natureza

Tenho saudades de viver no campo, de olhar pela janela do meu quarto e ver de um lado o Cerro da Inês e, do outro, o Castelo; de esticar-me sobre a relva sempre que me apetecia;de brincar com o meu cão; de andar de tractor com o meu avô; de ajudar o meu pai a cuidar dos animais; de sentir o cheiro a terra molhada no Inverno e de subir às laranjeiras no Verão. Tenho saudades de tanta coisa daquele sítio (mas não daquela vida). Podem chamar-me miúda do campo ou gente do monte, pouco me interessa. O meu coração é selvagem como as flores que despontam livremente no verde que se perde de vista. E tenho orgulho nisso. Sinto-me ligada à Natureza todos os dias da minha vida. De certo não seria a mesma pessoa se não tivesse crescido onde cresci e como cresci. Todos nós devíamos passar a nossa infância junto da Natureza, só assim nos conseguimos tornar mais humanos.