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18 de janeiro de 2011

Meu querido Alentejo

Apetece-me escrever-te uma carta dizendo tudo o que sinto por ti, quer seja bom ou mau. Tenho tanto para te contar e ainda temos tanto para partilhar, mas não vale a pena escrever as minhas palavras para que as possas ler, estou aqui contigo, vou segredar-tas ao ouvido.



Querido Alentejo...

24 de dezembro de 2010

Dezembro

Já não me lembrava da tua carícia gelada,
em dia cinzento,
cheio de chuva e de vento.
Trouxeste de novo o cheiro a terra molhada,
o conforto de um chá quente,
a saudade de um frio ausente.
Presenteias-me com trovoada,
aquele espectáculo dos céus
quando o juiz se enfurece com os réus.
Para muitos, és época abençoada,
quadra de amor e solidariedade,
mas também pretexto para futilidade.

Meu querido Dezembro, por ti estou encantada,
porque é na tua frieza altiva
que mais me sinto viva.

1 de julho de 2010

"Esta é a nossa rua"

Assim se chama o documentário que vi hoje na RTP1, sobre a diversidade cultural que existe na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. Se tivesse visto este documentário o ano passado, poderia estar incluída no pronome possessivo que figura no título, mas já não pertenço a este mundo. Não posso dizer que conheço aquela Avenida como a palma das minhas mãos, mas foram inúmeras as vezes em que os meus pés pisaram a sua calçada, em que os meus olhos desfilaram sobre as suas fachadas, em que os meus ouvidos foram embalados pelos seus sons. Por vezes, quando sinto vontade de me refugiar, é nesta Avenida que penso, é para lá que o meu espírito voa, com vontade de não voltar. Não sei ao certo porque me fascina esta artéria de Lisboa , talvez porque foi o primeiro sítio que me fez sonhar com a vida académica, que me acolheu de braços abertos e que testemunhou os meus sofrimentos e alegrias do início do meu sonho de independência. Sinto falta de ter esta Avenida sempre ao meu lado, de ser embalada por ela, de despertar com ela, de viver com ela. Por ventura ainda sou capaz de voltar a ter esta Avenida como morada; por enquanto, visito-a quando posso, demonstrando-lhe que nunca me esquecerei dela.

9 de maio de 2010

World Press photo 2010

Sem dúvida uma das melhores exposições que já vi até hoje. Além da qualidade técnica e artística das fotografias, encantei-me com a capacidade e a genialidade que os diferentes fotógrafos tiveram em captar os sentimentos e todo o misticismo que envolviam os momentos fotografados. É necessário um "estômago forte" para conseguir ver determinadas fotos que estão expostas, visto que muitas delas retratam cenas de guerra e de violência extrema. Durante a visita a esta exposição, dei por mim a pensar "Como é que estes fotógrafos conseguiram fotografar isto? Como é que não fugiram de medo? Como é que tiveram coragem?" Pois é, a verdade é que tiveram toda a coragem e sangue frio para imortalizar, de um modo extraordinário, os mais variados e impressionantes momentos. Mas não se deixam intimidar pelo conteúdo violento de certas fotografias, arte é arte, e estas pessoas sabem fazê-la muito bem.


World Press Photo 2010, no Museu da Electricidade, até 23 de Maio 2010.

Vão! Vale MUITO a pena!

29 de abril de 2010

Dança


Está a chegar o momento de subir ao palco, de ser só eu e o chão que piso, de ser só o meu corpo e o ritmo que o embala. Sinto borboletas na barriga. O momento chegou. Subo ao palco e posiciono-me. As cortinas abrem-se e a música ecoa na sala. Não tenho noção da quantidade de pessoas que estão a assistir, para mim isso é irrelevante. Sou só eu e a dança, eternas cúmplices de há tantos anos. Já não há segredos entre nós, só desafios mútuos. Aqui e agora, nada mais interessa a não ser a paixão que nos une. O meu corpo move-se, a minha alma eleva-se. Sinto-me tão feliz! Se pudesse ficaria eternamente neste palco, dançaria para sempre, mas o despertador toca e atira-me para a realidade. “Foi só um sonho.” A tristeza apodera-se de mim. “Talvez reencontre este palco, e quando esse dia chegar, voltarei a sonhar”.


Dia Mundial da Dança, 29 Abril.

"Dançarinos são os poetas do gesto" George Balanchine 
"The audiences' ears hear the music & their eyes see you being that music. Dance is the music made visible. You are the music!" Morocco, New York City, New York (1998)