Estou cansada de tentar
e não conseguir.
De pensar,
mas não agir.
A história repete-se,
sempre com um final diferente,
com mais uma lição para dar.
Quantas mais me faltarão aprender?
Será sempre assim o meu viver?
Sei valorizar a Paz
Sem ter que guerras enfrentar.
Mas, então, porque pareço caminhar
Num campo minado,
Onde espreitam perigos de todo o lado?
Não quero ter de me preocupar
Com o chão que piso.
Quero correr livremente,
Quero a ignorância de antigamente,
Aquela que tantas vezes
foi por Pessoa referida
E que, infelizmente,
É sempre perdida.
"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."
Onde "Tudo" pode saber a nada, onde "Pouco" pode ser suficiente e onde "Nada" pode significar tudo!
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21 de junho de 2010
17 de abril de 2010
Dor de pensar
Por vezes sinto-me como Fernando Pessoa se sentia...
“ (…) Não sei o que me falta…
Nem posso sonhá-lo (…)”.
Perco-me em pensamentos nos quais não me devia perder, pois são meras ilusões, meras suposições. Muitas vezes não levam a lado nenhum, simplesmente chamam outros pensamentos, acolhem-nos e multiplicam-se, sem fim à vista. Porque tenho de pensar tanto? Porque não posso simplesmente deixar acontecer? Pois, essa não é a minha natureza, não consigo deixar de raciocinar, de sair do ponto A para o C sem fazer uma paragem no B. E o mais frustrante nem é tanto o pensamento em si, mas a incapacidade de chegar a uma conclusão. Já por algumas vezes, em conversas mais ou menos sérias com amigas, admitimos de que podemos não ter a certeza do que desejamos, mas sabemos exactamente o que não queremos e, para mim, esta ideia é uma espécie de bóia de salvação. Agora, sempre que me sinto angustiada por não saber o que me faz falta ou o que quero, basta lembrar-me de que sei exactamente o que NÃO quero.
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